Evolução dos videogames? Bobagem!

Uma volta à época onde os games não tinham outra pretensão a não ser pura diversão

por Rodrigo Martin

Sempre tive vontade de escrever algo saudosista, contar um pouco dos velhos tempos dos videogames com joysticks com menos de seis botões e mostrar para os novos jogadores, nascidos na década de noventa, como eles chegaram atrasados.

Nascido no começo da década de oitenta eu acompanhei a evolução dos videogames, a criação das primeiras revistas especializadas e, apesar de não ter possuído um Telejogo (o primeiro console com variações do famoso Pong) eu vi os melhores videogames criados até hoje ganharem força.

No início não se falava em bits. Me lembro de ter ganho um Atari no Natal, depois de parasitar muito os videogames da vizinhança, e ter empenhado nele muitas tardes da minha infância. Os jogos eram todos em cartucho, muitas vezes uma “fita” vinha com vários jogos e para isso você precisava usar os seletores que vinham nela ou então, quando elas possuiam muitos títulos, desligar e ligar o videogame compulsivamente para escolher um entre eles.

Se o problema hoje é o CD riscado, antes era conseguir encaixar um cartucho defeituoso. Macetes que minha cabeça de criança nunca pôde entender apesar de sempre conseguir resolver.

Então, começaram a surgir as primeiras prateleiras de jogos de Atari, timidamente nos fundos de locadoras de vídeo. Não ter que comprar um jogo muito caro, mesmo que fosse esse um clone (muito famosos na época), era uma vitória para uma legião de garotos que poderiam jogar muito mais com o escasso dinheiro ganho de mesada.

O único competidor do Atari era o que conhecíamos aqui como Odyssey, que na verdade era a segunda versão do console. Ter um Odyssey significava status. Era um privilégio maior do que ter o maior número de fitas de Atari da sua rua. O console tinha um teclado embutido nele e cartuchos que garantiam uma diversão diferenciada do arroz-com-feijão do Atari, praticado a semana inteira.

Os jogos nessa época eram puro divertimento. Sem um fim real, o objetivo deles era contar mais pontos. Nada além da pura disputa. Jogar sozinho era apenas para treinar. Adversários existiam aos montes, já que nenhum colega ia negar uma disputa de videogame.

Começaram a falar de bits. Foi quando apareceu “a nova geração dos videogames”. O Atari voltava então para o armário e entravam em cena dois competidores de peso: o NES (conhecido aqui como Nintendo) e o Master System (da Sega, importado e vendido aqui pela Tec Toy).

Nessa época houve uma explosão geral de locadoras, que tinham como maior problema o escasso tempo de funcionamento. Títulos bons eram disputados logo cedo, principalmente nos fins de semana, com fila nas portas.

Um grande aliado das locadoras também deu as caras: as primeiras revistas de videogames. O dinheiro então dedicado a clones de jogos, na época do Atari, e aluguel de cartuchos diferentes começou a ser dividido entre revistas e locações de fitas.

Os jogos eram lindos, os videogames tinham pistolas e, ao invés de controles de um botão, passaram a ter dois, além de seletores que dispensavam a caminhada até o aparelho. Era um grande avanço.

A diversão ainda dominava, e ninguém se importava em imaginar que aquele borrão de pixels alaranjados era na realidade um encanador que precisava salvar uma princesa de pixels rosas estourados.

No começo desses videogames não existia a opção de gravar jogos salvos e a vontade de chegar ao final de uma história exigia que os deixássemos ligados o fim de semana inteiro.

Havia algum texto escrito na tela e, apesar de estar numa língua que não entendíamos, ninguém se importava realmente. Poucos jogos exigiam a compreensão da trama, já que a palavra RPG, no mundo dos videogames, era desconhecida até meados de 90, quando chegou ao NES o famoso Maniac Mansion.

A explicação do jogo era toda feita por imagens toscamente desenhadas (que, é claro, achavamos perfeitas), logo na abertura, e o máximo que precisávamos entender de inglês conseguíamos num mísero dicionário que passou então a fazer parte da vida dos jogadores mais novos.

Outro avanço veio com o Phantasy Star, para Master System. Foi o primeiro RPG dos videogames que dependia de compreensão completa do roteiro, e foi trazido pela Tec Toy, inteiramente em português. Ele trazia uma opção interessante e inédita para mim: a opção de gravar o jogo. Assim podiamos parar de jogar, desligar o aparelho (que esquentava muito) e continuar no dia seguinte, de onde tinhamos parado.

A cada revista que saia podíamos perceber o avanço de videogames, dos portáteis e uma nova geração vindo. A “nova geração” foi a primeira de uma série de novos jogadores. Novos jogadores que tiveram os videogames de 16-bits (Super Nintendo e Mega Drive) como o primeiro console. Jogadores que conheceram jogos mais bonitos que um amontoado de pixels estourados, que participaram bem mais de tramas complexas, mas que, hoje, estão em uma guerra desenfreada de produtoras de jogos e fabricantes de sistemas que tem como objetivo mostrar gráficos cada vez mais reais e jogos cada vez menos divertidos.

Rodrigo Martin começou a jogar videogames com o Atari, acompanhou toda a evolução e também tem um Playstation, mas lembra com saudades do tempo que o videogame era jogado e não assistido.

10 Respostas to “Evolução dos videogames? Bobagem!”

  1. verbal Says:

    grandeee doleminho!

  2. Anonymous Says:

    gráficos cada vez mais reais e jogos cada vez menos diertidos.

    divertidos eu diria!

  3. Dolemes Says:

    O poder de um ácido comentário anônimo. Muito obrigado, acabei de arrumar o erro de digitação.😉

  4. Durfos Says:

    Putz cara, parabéns pelo texto, muito bom, quase chorei.
    Também passei por todas essas fases dos games, desde Atari até os consoles de hoje.

    Jogos das antigas que eu ainda lembro muito bem são:

    * Atari
    – Pitfall
    – Mrs. PostMan
    – Decathlon
    – Key Stone Keeper

    * NES
    – Maniac Mansion
    – Mario 3
    – Zelda I e II
    – Mac Kids
    – Ninja Gaiden
    – Totaly Had
    – BattleToads
    – Final Fantasy
    – Metal Glory

    * Master System
    – Space Eagle
    – Alex Kidd
    – Phantasy Star!
    – Ultima
    – Asterix
    – Space Harrier

    Entre outros, mas novamente parabenizo seu POST, muito bom.

  5. Atillah Says:

    O post realmente está muito bom, porque resume um bom pedaço da idade mais tenra de quem tem hoje quase 30 anos, como eu.

    Peço, entretanto, licença pra discordar civilizadamente da conclusão do seu post. Discordo de forma grande de que os games sejam menos divertidos hoje; alguns games realmente priorizam a buniteza ao invés do conteúdo, o que me deixa muito triste. Mas a minha percepção do nível de diversão ou aproveitamento dos games é de que ambos são crescentes desde a época do Atari.

    Compare por exemplo (vou me ater a games de conhecimento geral), Enduro do Atari, com Gran Turismo (o primeiro mesmo) do Playstation. Na minha opinião, a diversão do Enduro era completamente unidimensional, consistindo geralmente em ver quem conseguia jogar até o jogo travar, o que muitos consideravam como “final do jogo”. Claro que havia um componente de competição muito forte em Enduro e um grande senso de realização, quando se quebravam os próprios limites (medido pelo odômetro no painel de baixo, lembra? E aquelas bandeiradas, hein?). Agora compare com Gran Turismo: todos esses componentes de diversão estão também presentes, com vários adicionais de satisfação e divertimento, como o fato de poder pilotar um carro com características “reais”. Se o enduro era unidimensional em diversão (e não estou falando de diferenças tecnológicas), pense em quantas formas diferentes (dimensões) existem para o aproveitamento de Gran Turismo: juntar dinheiro para um carro específico, completar com troféu ouro todos os testes de carteira/licença, melhorar cada vez mais o tempo em uma pista específica, montar uma garagem com todos os carros, etc… Representam um leque muito maior de formas de se divertir em um único game.

    Podemos continuar a conversa, se o tema interessar.

  6. Dolemes Says:

    Attilah, quer escrever sobre isso? Faça um texto e me envie: dolemes@gmail.com

  7. Atillah Says:

    Ok, posso escrever sim. Escreverei como um novo texto dirigido ao público, e não como “resposta” ao post anterior, tudo bem?

  8. Dolemes Says:

    Fechado. Envie para dolemes@gmail.com

  9. |GM|Dodoi Says:

    Cara, excelente!
    Quase nunca comento em lugar nenhum, mas hoje foi exceção.
    Realmente nostálgico, só quem viveu a “mágica dos anos 80” pode entender isso.
    Obrigado.

  10. James Baker Says:

    Congratulations Friend for your excellent blog on games center!Keep up the good work!
    If you have a moment, please visit my site:
    games center
    I send you my warm regards and wish you continued success.
    Have a nice day!🙂

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