Seria cômico se não fosse trágico

Por Renato Degiovani

No último domingo (dia 5 de março), a Folha Ilustrada publicou uma pequena matéria sobre como a pirataria de episódios das séries de televisão virou mania entre os seus fãs. Descobriram a pólvora.

No entanto, o mais engraçado da matéria foi a declaração do vice-presidente sênior para a América Latina do canal FOX: “Eu nem sabia que isso acontecia nessa escala. Agora vou ter que alertar a sede da emissora nos Estados Unidos.”.

Esse tipo de situação serve para nos mostrar como o mundo se auto-organizou ao redor da moderna tecnologia de comunicação, como os mecanismos tradicionais de distribuição de produtos de entretenimento perderam o bonde da modernidade e como estamos todos nós numa jornada sem uma linha condutora clara, rumo ao futuro. E ainda tem gente que acredita que se combate pirataria de software (e em especial de jogos de computador) com cadeia, sem nem ao menos entender o problema como um todo.

É por causa de situações como essa que o modelo tradicional de distribuição de jogos em CD ROM foi pro espaço, por essas paragens. Quanto mais cedo os pretendentes a produtor de games entenderem isso, melhor para todo mundo. O Brasil tem dimensões continentais; inúmeros centros desenvolvidos de consumo e está integrado totalmente ao mundo moderno da comunicação. Isso exige agilidade para distribuição dos jogos em lançamento e o único sistema capaz de cumprir esse requisito hoje é a internet.

No entanto ainda há muita resistência, tanto por parte do consumidor, quanto dos produtores, em centrar o foco da produção de jogos nacionais dentro deste sistema. Conhecê-lo e dominá-lo é fundamental para consolidar uma posição de destaque no mercado e estamos perdendo muito tempo, atirando em modelos de jogos que não tem mesmo como dar certo comercialmente, aqui no Brasil.

Em tempo:
Hoje, dia 10 de março, começa no Rio de Janeiro o evento CDG-Rio onde ocorretá o II Festival de Jogos Acadêmicos, um concurso que premia os melhores projetos produzidos por alunos dos mais diversos cursos de jogos oferecidos no país. Uma boa oportunidade para conhecer o que vem por aí, em termos de produção nacional [http://www.cdgrio.com.br]


Renato Degiovani é Programador Visual e Desenhista Industrial, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É autor e produtor de jogos para computador desde 1980. Foi diretor técnico e editor da primeira revista brasileira de informática, a Micro Sistemas, nas décadas de 80 e 90. Atualmente é o editor e produtor do site TILT online e escreve para diversos sites na internet

Uma resposta to “Seria cômico se não fosse trágico”

  1. verbal Says:

    Isso nao se limita a games, seriados de TV, filmes. A distribuição informal (leia-se Pirataria =P) ja abrange todas as midias de entretenimento, ate Livros sao escaneados e distribuidos. Sem comentar no já conhecissimo MP3.

    A dificuldade de distribuicao, e os valores empregados sao alguns dos fatores responsaveis por essa distribuição informal.

    Bom, mas como diz um amigo meu .. “mesmo se fosse de graça, iria existir pirataria”

    Vai saber🙂

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