Conclusão

“Não se fazem mais games como antigamente” é uma frase que todo mundo já ouviu inúmeras vezes. Tirando o sentimento de nostalgia que faz tudo que é antigo parecer melhor na nossa lembrança, a frase faz algum sentido? Os jogos antigos eram realmente melhores mesmo com gráficos muito mais limitados? Melhores em que? (…)

Scott McCloud tem uma teoria que diz que a “simplificação” gera “amplificação”, ou seja, quanto mais cartunizada ou iconizada é uma imagem, mais significados subjetivos podemos dar a ela. Enquanto um rosto detalhado representa uma pessoa específica, um rosto composto por dois pontos e um traço representa todas as pessoas do mundo. Consequentemente uma imagem mais simplificada nos provoca maior empatia, há maior chance de nos identificarmos com ela (e pelo mesmo motivo as tentativas de alcançar o realismo pleno caem no vale da estranheza).

McCloud fala especificamente sobre quadrinhos, mas podemos perceber o fenômeno também nos videogames, um bom exemplo é o Adventure, um de meus jogos favoritos. Nele o protagonista é representado apenas por um quadrado, e isso deixa aberta a possibilidade de interpretação: ele pode ser tanto um cavaleiro, um soldado, um ninja espacial ou qualquer outra coisa que faça sentido para mim. Não especificar exatamente o que estamos vendo nos obriga a participar e completar o que está faltando, torna a obra mais interativa e, portanto, mais divertida. (Eu já argumentei por que acredito que a interatividade está intimamente ligada a diversão neste post.) (…)

Por trás disso tudo existe uma idéia muito usada na literatura, no cinema, nos quadrinhos e em outras formas de arte: a conclusão.

Parente das teorias de percepção visual da Gestalt, a conclusão é explicada por McCloud em Desvendando os Quadrinhos, um livro essencial para quem quer estudar qualquer área relacionada com linguagem visual. Em resumo, McCloud diz que muitas vezes só precisamos ver uma parte para entender o todo: se no primeiro quadrinho alguém se aproxima de uma porta e no quadrinho seguinte a pessoa está dentro da casa, concluímos todas as ações intermediárias como girar a maçaneta, abrir a porta, entrar etc. O mesmo acontece o tempo todo no cinema com os cortes entre as cenas, todas as ações não mostradas na tela são concluídas automaticamente por nosso cérebro, que completa as lacunas… (continua)

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Uma resposta to “Conclusão”

  1. Leonardo Zimbres Says:

    Muito legal a matéria. Eu acho que os nostálgicos são só nostálgicos, mas a matéria é bem verdadeira. E é nesse meio que podemos abrir espaços para pequenas iniciativas brasileiras, para desenvolver jogos para os primatas de processamento(e bem vendidos) celulares e nintendo ds.

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